domingo, 24 de outubro de 2010

Inverso

Não aguento mais isso, acho que deve ser coisas de signo, fogo e agua acabam sempre por se possuir um ao outro e, instantaneamente, acabarem-se um ao outro. E olha que nunca toquei na sua pele, muito menos olhei dentro dos seus olhos pra ver sua alma, ou pelo menos tentar ver algo, você sabe, não vejo nada sem óculos. Esse meu estado de irritação para com a sua pessoa acaba comigo, sabe, me desconcerta de uma tal maneira que me faz ter certeza que vou acabar me ferrando na prova de matemática amanhã, realizando assim a sua previsão da minha futura nota 3, o que arruinaria minha média, então você riu. O mais engraçado disso tudo é te ver nervoso por algo que nem te diz respeito só reforça a teoria de que você me ama. Talvez seja recíproco, não sei, ainda não decidi.




Ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria você ah se ousássemos.




- Caio Fernando Abreu
Você não vai me vencer,  ouviu bem sua vida de merda?

sábado, 16 de outubro de 2010

Esperas

 Mas o problema é acordar de manhã num dia nublado, olhar para o lado e ver que ele não se prestou a te ligar ou a mandar uma mensagem no dia seguinte. É esse é o problema, ainda esperar resultados de acontecimentos que só ocorreram para virar passado, para ser bom por uma noite, por um olhar, por um beijo. Pois é, mas esse  é o problema das mulheres, não compreender esse fato e continuar crendo que o estranho de ontem a noite será o principie encantado de amanhã e continuar sonhando com isso, inventando situações para futuros encontros, planejando o que vai falar e o que quer ouvir enquanto espera o telefone tocar, o sms chegar ou a janela do msn subir. Acho que isso deve ser culpa de algum hormônio feminino, provavelmente vindo o mesmo lugar do hormônio que nos faz ficar apaixonadas, esse hormônio da esperança que começa a ser liberado toda vez que você supostamente encontra aquele cara e que é estimulado pelo tempo que você espera do lado do telefone. Se você me perguntar se ainda espero ao lado do telefone, direi que sim, erronea ou ironicamente, porém ja não ensaio situações ou penso demais nisso, eu só espero que ele venha, que alguem , não importa se for o principe num cavalo branco estilo mauricinho com o cabelo penteado para tras de sweater e tudo, ou o aquele com capa de garbardine, chapeu molhado, barba de dois  dias e cigarro no canto da boca. Não me importa se ele não se parecer um ator de cinema, eu só quero que ele venha, logo.

domingo, 26 de setembro de 2010

Onde quer que me esqueças

Sinto falta do seu boné azul, aquele que eu roubava e saia correndo, sempre que queria te surpreender ou te deixar irritado. Me lembro de todas as vezes que você dividia seu lanche comigo, ou da vez que disse que me amava, obtendo como resposta um simples "eu te amo também, mas de um jeito melhor, como meu irmão". Lembro de nossas aulas de ingles que, mesmo sendo as unicas que tinhamos juntos, era rotina, era como deveria ser, até eu ir embora. Desculpe, não queria te deixar, mas eu não podia mais ficar, simplesmente não podia. Então quem mudou foi você, que passou de excessão a mais um na multidão.

sábado, 25 de setembro de 2010

Mapa mundi

E era assim, toda a vez que ela me pegava fitando o mapa múndi pendurado na parede do meu quarto, sentada na cama ao imaginar quanta coisa eu estava perdendo ali, pensando aquilo, mamãe sempre dizia "Para de sonhar e vá arrumar esse quarto, menina". É, eu era sonhadora demais, fazia isso o tempo todo, só parava para prestar a atenção nas aulas de Ballet, porém, bastava um passarinho começar a cantar do lado de fora do ateliê que ja me imaginava como um. Seria bom ser um pássaro, sem precisar se preocupar com o tempo perdido sentado na cama olhando o mundo por um mapa, era só sair voando, do Hawaii a Pequim, como dizia aquela musica que a gente cantou uma vez na escola, em uma apresentação daquelas que toda a criança faz quando ainda tem seus pais como super heróis e sonha em ser veterinária ou professora. Não sei porque, mas eu era diferente, queria ser uma bailarina-viajante, afinal, as aulas de Ballet eram um dos únicos momentos em que eu conseguia parar de sonhar, pelo menos até um passarinho começar a cantar do lado de fora.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Madness

Se todo gênio é louco, todo o louco é gênio? E se todos tem um pouco de medico e louco, seriam todos os medicos geniais? Observando as pessoas de um modo geral todas parecem riscos tortos e uma folha de linhas milimetradas. Desde quando o mundo é mundo, e até o mundo deixar de ser mundo, o anormal é a regra e toda a sua excessão é devidamente eliminada de algum modo, querendo ou não todos querem se diferenciar, tornarem-se gênios, mas se todo gênio é louco, porque ninguém quer ser louco? Ser louco fugiria até demais da regra da anormalidade social, ou talvez ser louco seja certo demais em lugares onde a norma é ser diferente, de um modo ou de outro, se até o filho de deus foi considerado louco, quem seriamos para nos compararmos a ele de modo que tudo o que querem é ser gênio, símbolo de uma simples época onde ser gênio é ser louco, mas ser louco é ser louco, e só.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Just like Jane Austen

 Sou facilmente irritada, e por isso acontecer corriqueiramente, apenas fecho os olhos, respiro e penso "Jane Austen me entenderia", ja que, minha mãe sempre diz que vou acabar como ela, de que adianta um rápido raciocino e uma lingua afiada se não tem com quem discutir? Jane era racional demais, a frente de sua época, mas seu medo continua tão atual quanto seus romances: O medo de permanecer sozinha, para sempre. Ao contrario de seus personagens, Austen não teve um final feliz, abdicou de sua real felicidade e conseqüentemente, não conseguiu nenhuma outra. Sendo ou não comparada a Jane, eu não quero ficar assim, quero um final feliz, o final que ela merecia, o final que eu vou merecer, um dia.



If I loved you less, I might be able to talk about it more. 


Jane Austen